quarta-feira, 26 de novembro de 2025
Nosso estilo de vida influencia profundamente a saúde do cérebro e há cada vez mais evidências científicas de que o uso de álcool e cigarro pode aumentar o risco de demência, inclusive Alzheimer. A seguir, exame dados e estudos que ajudam a fundamentar esse alerta.
- Uma meta-análise envolvendo 37 estudos mostrou que fumantes atuais têm risco aumentado de demência — cerca de 30% maior em relação a quem nunca fumou. O risco para Alzheimer foi estimado em cerca de 40% maior. PubMed+2Sociedade de Alzheimer+2
- Em casos de tabagismo intenso na meia-idade — por exemplo, mais de duas carteiras de cigarro por dia — o risco de demência, Alzheimer e demência vascular mais de duas décadas depois dobrou. PubMed
- As evidências sugerem que o tabagismo contribui para demência por meio de diferentes caminhos: problemas vasculares (que afetam a irrigação cerebral) e dano direto ao tecido cerebral, por processos de inflamação e estresse oxidativo, favorecendo alterações associadas à Alzheimer (como acúmulo de proteínas anormais e degeneração neuronal). SpringerLink+1
- Um ponto importante: ex-fumantes tendem a reduzir o risco, aproximando-se do nível de quem nunca fumou, o que reforça os benefícios da cessação. PubMed+1
Em resumo: fumar — especialmente por muitos anos e em grande quantidade — aumenta de forma significativa o risco de demência. E parar de fumar, ainda que tardio, parece diminuir esse risco.
Álcool e demência: “qualquer dose é arriscada”
A relação entre álcool e demência tem sido objeto de debate por décadas — mas estudos recentes vêm trazendo sinalizações fortes de alerta.
- Uma pesquisa de 2025, com dados genéticos de 2,4 milhões de pessoas e dados de consumo de mais de 500 mil participantes, concluiu que qualquer nível de consumo de álcool estava associado a risco aumentado de demência. Segundo os autores, não há evidência de que consumo leve ou moderado seja protetor — pelo contrário. ox.ac.uk+1
- Para cada aumento de uma a três doses por semana, o risco de demência aumentou cerca de 15%. Uma elevação no risco previsto geneticamente para dependência de álcool resultou em 16% a mais de risco de demência. ox.ac.uk+1
- Um estudo recente no Brasil, da Universidade de São Paulo (USP), analisou cérebros de 1.781 pessoas e identificou que quem consumia oito ou mais doses por semana apresentava risco até 133% maior de danos cerebrais relacionados à demência. InfoMoney+1
- O consumo crônico e excessivo de álcool pode levar a uma série de danos cerebrais — perda de massa cerebral, comprometimento da matéria branca, deficiência de vitaminas (como a vitamina B1) e ao aparecimento de síndromes específicas, como a Síndrome de Wernicke-Korsakoff — um tipo de demência alcoólica. Sociedade de Alzheimer+1
Portanto: evidências robustas colocam o consumo de álcool como fator de risco para demência. E essa relação parece existir mesmo em níveis que muitos consideram “moderados”.
Por que álcool e cigarro “machucam” tanto o cérebro?
Os mecanismos são variados — e quanto mais cedo e intensamente houver a exposição, maior o risco:
- Problemas vasculares: tanto o tabagismo quanto o uso pesado de álcool prejudicam vasos sanguíneos — comprometendo a irrigação do cérebro e favorecendo demências vasculares. Sociedade de Alzheimer+1
- Dano direto às células cerebrais: as substâncias tóxicas do cigarro provocam inflamação e estresse oxidativo; o álcool, em excesso, pode causar degeneração neuronal, diminuir volume cerebral e prejudicar a comunicação entre neurônios. SpringerLink+1
- Alterações patológicas relacionadas à Alzheimer: alguns estudos mostram que tabagismo e álcool podem favorecer o acúmulo de proteínas como beta-amilóide e tau — responsáveis pelas lesões típicas da doença. SpringerLink+1
- Déficits nutricionais e comorbidades: consumo abusivo de álcool, por exemplo, pode levar a deficiência de vitaminas essenciais (como B1), e o estilo de vida associado a esses hábitos (sedentarismo, má alimentação, outras doenças) amplifica o risco. Sociedade de Alzheimer+1
O que os dados familiares e de vida real valem
Além das estatísticas e pesquisas acadêmicas, há a experiência de muitas famílias — como a sua. Casos de dependência, doenças graves e demência em parentes ajudam a tornar o risco real. A ciência confirma: comportamentos que afetam negativamente o corpo e o cérebro durante décadas têm forte impacto na saúde cognitiva.
Sua história pessoal — pai médico em dependência de bebida, irmão perdido pelo cigarro — não é exceção: é um retrato de como fatores ambientais, comportamentais e de estilo de vida se manifestam tragicamente.
Prevenção é amor ao cérebro: escolhas que fazem a diferença
Com base nas evidências científicas e na experiência de vida:
- Evitar o tabagismo é uma das medidas mais poderosas para proteger o cérebro. Parar reduz o risco — e quanto antes, melhor.
- Reduzir ou eliminar o consumo de álcool também: mesmo doses leves não são isentas de risco. O que pensar como “social” ou “moderado” pode sim pesar sobre a saúde cerebral.
- Adotar um estilo de vida saudável de forma integral — alimentação equilibrada, atividade física, sono de qualidade, estímulo intelectual e social — fortalece a “reserva cognitiva”, ajudando a prevenir demências.
- A educação e a consciência familiar (compartilhar experiências, alertar entes queridos) são poderosas aliadas na prevenção.
Reflexão pessoal: fé, experiência e cuidado
Como alguém que tem vivido de perto os desafios da idade, da fé, e da fragilidade humana — e com muitos anos de estudo e vivência — acredito que nosso cérebro merece cuidado, respeito e amor. A escolha por evitar álcool e cigarro, por valorizar a saúde, o corpo que Deus nos deu, e cuidar da mente com zelo, é uma forma concreta de proteger nossa memória, dignidade, e legado.
Que possamos, juntos, olhar para a vida com sabedoria — cuidando de nós e dos que amamos.
Lucinda Maria Freire Magalhães
Teóloga com Extensão em Aconselhamento Bíblico
✨ Vivências da Lucinda.
segunda-feira, 24 de novembro de 2025
Às vezes a vida vira a página sem pedir licença. O Alzheimer chega assim. De mansinho, primeiro confundindo pequenas coisas, depois mexendo na rotina, até que percebemos que a casa inteira precisa se reorganizar para acolher esse novo visitante que ninguém convidou. Mas também descobrimos uma força que não sabíamos que tínhamos.
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| Missionária Regina, Seu filho Henrique, Cuidador de Fernando |
Conviver com o Alzheimer é aprender a olhar para o amor de outro jeito. A comunicação muda, os gestos mudam, o jeito de cuidar muda, mas o vínculo permanece firme, silencioso e teimoso como um amanhecer que sempre volta. Há dias luminosos, há dias nublados, e há outros em que a gente respira fundo, abraça a paciência e segue. Porque quem ama, permanece.
É curioso como pequenas coisas ganham um brilho novo: um sorriso breve que aparece do nada, um olhar que reconhece mesmo sem palavras, um toque que diz “estou aqui”. Tudo isso vira tesouro. O que antes era automático vira celebração diária.
E no meio desse cenário, descobrimos algo essencial: não cuidamos só da pessoa com Alzheimer, mas também de quem somos. Cuidar do outro exige que cuidemos de nós mesmas, para não perdermos nossa identidade. É como manter uma chama acesa mesmo quando o vento passa mais forte.
O Alzheimer não tem cura, mas o amor tem um poder que ele não toca. Ele transforma. Ele sustenta. Ele escreve novos capítulos, ainda que diferentes dos que imaginávamos. E se há algo que este caminho me ensinou, é que podemos viver com dignidade, ternura e esperança mesmo em meio ao inesperado. É possível rir, lembrar, reinventar e seguir, porque a vida continua chamando a gente para vivê-la com coragem.
E, de alguma forma, cada experiência compartilhada reacende outra luz por aí. Uma família se sente menos sozinha. Outra descobre um jeito novo de cuidar. E assim vamos, como uma corrente de mãos dadas atravessando a tempestade.
No fim, quando olhamos para esse percurso, percebemos que o Alzheimer muda muita coisa, mas nunca apaga o essencial: o amor que construímos antes dele chegar.
Lucinda Maria Freire Magalhães
Teóloga com Extensão em Aconselhamento Bíblico
✨ Vivências da Lucinda
quarta-feira, 12 de novembro de 2025
Cuidar de alguém que amamos é uma missão que exige mais do que técnica — exige coração.
Quando chegou o momento de escolher quem estaria ao lado do meu marido, Fernando, optei por buscar profissionais de uma empresa especializada. Foi assim que conheci a Agência Akalanto, e essa escolha fez toda diferença.
Dona Conceição, que comanda a agência, é alguém que realmente se importa. Ela zela para que cada cuidador enviado tenha não apenas competência, mas também empatia, respeito e vontade de caminhar junto com a família. É por isso que digo: nossos cuidadores não são apenas profissionais, são parte da nossa história.
Com o tempo, fomos formando uma grande família. Há carinho, atenção e uma convivência de verdadeira parceria. A cada dia aprendo mais sobre o quanto é desafiador e, ao mesmo tempo, gratificante ser cuidador. Não é fácil — exige paciência, amor, e disposição para estar presente mesmo nos dias mais difíceis.
Também reconheço o quanto esses profissionais enfrentam jornadas longas, transportes cheios, e ainda assim chegam com um sorriso e dedicação. Quando um cuidador se sente bem no lugar onde trabalha, isso reflete em todos ao redor — o ambiente se enche de paz.
Por isso, deixo aqui meu reconhecimento e gratidão à equipe da Agência Akalanto e a todos os cuidadores que passam por nossa casa. Hoje, inclusive, aguardamos com carinho a mãe de um dos nossos cuidadores, o querido Henrique. A Bahia estará muito bem representada! Conversamos sempre e descobrimos que partilhamos algo muito especial: a fé em Jesus Cristo.
E é essa união entre família e cuidadores que torna o caminho mais leve, mesmo em meio aos desafios do Alzheimer.
Lucinda Maria Freire Magalhães
Teóloga com Extensão em Aconselhamento Bíblico
✨ Vivências da Lucinda.
quinta-feira, 23 de outubro de 2025
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| Arquivo pessoal |
Comecei a adotar hábitos simples para proteger minha memória e, quem sabe, fortalecer a dele. Hoje, compartilho o que fazemos por nós dois, com amor, fé e pequenas mudanças no dia a dia.
Não sou médica, mas estudei e aprendi com leituras, conversas com amigos e até com o médico da família que pequenos passos podem ajudar a memória. Aqui estão cinco hábitos que fazem parte da nossa rotina:
- Comer com carinho e saúde: Trocamos frituras por alimentos bons para o cérebro, como peixes, nozes e frutas vermelhas. Uma vez, fiz um suco de morango para Fernando, e ele sorriu dizendo: "Isso me lembra nossa lua de mel."
- Manter o corpo em movimento: Fernando faz exercícios físicos com cuidadores, caminhamos juntos também, mesmo que seja devagar. Fernando já não joga basquete, mas gosta de sentir o sol enquanto andamos de mãos dadas.
- Desafiar a mente: Eu adoro palavras-cruzadas, e às vezes leio as dicas em voz alta para ele tentar. Também contamos histórias antigas, como as aventuras dele na Marinha.
- Conversar e rir com amigos: Reúno a família ou ligo para uma amiga. Esses momentos me recarregam, e Fernando se anima ao ouvir risadas.
- Rezar e confiar: A fé é nossa âncora. Oro todas as noites, pedindo força para nós dois. Isso acalma minha mente e me dá esperança.
Cuidar da memória não é só sobre evitar algo no futuro, é sobre viver com mais leveza agora. Cada passo que dou, como comer melhor ou caminhar com Fernando, é um jeito de dizer "te amo" para ele e para mim mesma. Se você está cuidando de alguém com Alzheimer, comece com algo simples: um prato colorido, uma caminhada curta, uma oração.
E você, o que faz por sua memória?
Quero saber: quais hábitos você inclui no seu dia para se cuidar? Conte nos comentários, porque juntos aprendemos mais. Com Fernando, sigo acreditando que o amor e a fé movem montanhas – e protegem corações.
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| Eu e meu marido Fernando em nosso horário de leitura juntos |
Os primeiros sinais que percebi
Acabei de sofrer um tombo feio aos 79 anos. Três placas de metal agora sustentam meu quadril. A princípio, pensei que seria impossível me recuperar, que minha vida mudaria para sempre. Mas, de alguma forma, encontrei forças para me levantar e mais forte do que nunca.
A vida me ensinou que nunca é tarde para recomeçar. Encontrei nos exercícios e no projeto Vivências da Lucinda a razão para me levantar todos os dias. Cada movimento, cada treino, cada momento de cuidado comigo mesma é também uma forma de cuidar do meu amado marido, Fernando, que enfrenta doenças como Alzheimer e Parkinson.
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| Eu e meu marido na varanda enquanto uso cadeira de rodas nessa recuperação da cirurgia confira o vídeo que postei nas redes sociais sobre o episódio: https://www.facebook.com/share/v/179uWy2wD4/ |
Ser cuidadora é um desafio diário, mas também é um propósito. O amor e a dedicação que coloco em cada ação me mostram que força não está apenas nos músculos, mas na vontade de viver plenamente, mesmo diante das dificuldades.
Hoje, sou a prova viva de que idade não é limite, e que obstáculos físicos ou emocionais podem ser superados com determinação e propósito. Minha história não é apenas sobre cair e levantar; é sobre encontrar motivos para se levantar todos os dias, mesmo quando tudo parece difícil.
Se eu consegui, o que te impede de tentar?
sexta-feira, 17 de outubro de 2025
Cuidar de quem amamos é um dos gestos mais puros de amor. Mas, quando o Alzheimer chega e o companheiro de uma vida inteira já não fala mais, o silêncio se torna um novo idioma. A rotina muda, as conversas desaparecem e, por vezes, parece que parte de nós também se perde nesse processo.
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| Eu e Fernando, antes dele ter o diagnóstico do Alzheimer |
É nesse ponto que o amor-próprio se torna essencial. Ele não é egoísmo, é sobrevivência emocional. Continuar se olhando no espelho, arrumar o cabelo, escolher uma roupa bonita, ouvir uma música que faz bem, tudo isso é lembrar-se de que ainda existe você por trás do papel de cuidadora.
Ser mulher vai muito além das palavras que já não se ouvem. É sentir, cuidar, sonhar e seguir. Amar um marido com Alzheimer é viver um amor em silêncio, mas também é viver uma entrega que ensina todos os dias o que é presença verdadeira.
Manter o amor-próprio é encontrar pequenas alegrias no cotidiano: um café tranquilo, uma oração, uma lembrança boa. É saber que, mesmo que ele não fale, o amor ainda está ali, no olhar, no toque, no simples estar juntos.
E, acima de tudo, é não se esquecer de que você continua sendo inteira. Mulher, esposa, cuidadora, e também alguém que merece cuidado, ternura e descanso.
Lucinda Maria Freire Magalhães
Teóloga com Extensão em Aconselhamento Bíblico
✨ Vivências da Lucinda.







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